DIVULGAR DESAPARECIDOS-UMA LUTA DE TODOS NÓS!

Mais de 200 mil pessoas desaparecem no Brasil por ano,segundo pesquisa realizada pela ONG Movimento Nacional de Direitos Humanos e Ministério da Justiça(dados de setembro/2009).Deste total,crianças e adolescentes representam 5%.Os motivos do desaparecimento podem ser variados:tráfico de seres humanos,rapto de crianças para adoção ilegal,prostituição e exploração sexual infanto-juvenil.Para a polícia,porém,as causas apontadas acima são minoria.Muitos se perdem ou fogem de casa por causa da violência ou alguma deficiência mental.Ajude a diminuir a dor dessas famílias,divulgando fotos de desaparecidos.Uma luta de todos nós!

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

DROGAS E DESAPARECIDOS

INTERESSANTE MATÉRIA PUBLICADA NO DIÁRIO GAÚCHO:
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http://www.clicrbs.com.br/especial/rs/diario-gaucho/19,0,3164074,Serie-Desaparecidos-os-sumidos-na-pedra-de-crack.html
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Desaparecidos: os sumidos na pedra de crack

Conheça o drama de uma mãe que espera o filho há 22 meses

Eduardo Torres, Especial
Usuário de crack há seis anos, Ivan Maganhin da Silva, 28 anos, desapareceu quase dois anos atrás e caiu na "margem de erro" dos casos investigados pela polícia. As drogas são a principal motivação para sumiços de jovens e adultos.

O titular da Delegacia de Homicídios e Desaparecidos, delegado Bolívar Llantada, revela um número assustador: são cerca de 20 registros diários em Porto Alegre. Mas o policial garante que 99% dos sumidos envolvidos com drogas voltam para casa.

- Quantas vezes ele chamou o meu nome?"

Na hora do almoço, Neide Solange Maganhin, 51 anos, custa a comer. Tem sempre a preocupação de deixar algo nas panelas caso o filho, Ivan, 28 anos, apareça. Há 22 meses, ele saiu de casa dizendo que tinha um trabalho na Serra. Nunca mais voltou. Mas aparece todas as noites nos sonhos da mãe:

– Eu fico pensando em quantas vezes ele chamou o meu nome. Se passou frio, se está com fome. Quando um filho está morto, a mãe pelo menos sabe onde ele está.

- “Não tem o que fazer”

Usuário de crack, há seis anos ele sumiu por alguns meses. Por causa da droga, até as lembranças de Ivan são poucas. Ele negociou uma máquina fotográfica para comprar a pedra.

Volta e meia, a mãe vai xeretar no Palácio da Polícia o que é feito na apuração do caso. A resposta dos agentes é sempre dura:

– A senhora olha naquele cartaz. Se ele não estiver ali, é mais um que se perdeu nessa porcaria. Não tem o que fazer.

- “É preciso avaliar caso a caso”

O titular da Delegacia de Homicídios e Desaparecidos, Bolívar Llantada, não ameniza. Diz que é preciso "priorizar casos". Mesmo sem uma estatística exata, o delegado aponta o uso de drogas, especialmente do crack, como uma das principais causas de desaparecimentos na Capital. São pelo menos 20 registros diários.

– É preciso avaliar caso a caso. Se a pessoa reiteradamente some, a urgência não é a mesma. Muitas vezes, os próprios familiares dizem que só estão fazendo o registro por fazer, porque sabem que o parente está em alguma boca, consumindo drogas – aponta o delegado.

- Cada pista é uma esperança

A dúvida é o que mais angustia a mãe e talvez explique os pesadelos constantes da filha de Ivan, hoje com sete anos.

– Ela acorda chorando, chamando o pai, e não temos o que dizer – lamenta Neide.

Em fevereiro de 2009, a mãe recebeu uma ligação ruim, chiada. Era Ivan, supostamente de um orelhão da rodoviária. Ele só teve tempo de dizer à mãe que iria para Caxias do Sul.

Neide não teve tempo de dizer ao filho que havia se mudado naquela semana e já não morava na Vila Maria da Conceição. A ligação caiu, e com ela os sinais do filho.

- “Acho que ele foi embora de vergonha”

A primeira pista só veio oito meses depois, quando pessoas disseram ter visto Ivan em Canoas. A mais concreta, porém, veio de Viamão há algumas semanas, onde um conhecido garantiu ter falado com Ivan, mas não o viu mais.

– Acho que ele foi embora de vergonha por ter voltado para a droga. Mas eu quero ajudar ele, saber se está bem. Será que fizeram algum mal para o meu filho? – diz Neide.

- Dois pesos, duas medidas

A falta de condições para a busca de desaparecidos pela polícia não é absoluta, mas restritiva. A probabilidade de um viciado pobre ser encontrado com vida é muito menor do que a de um rico.

– Não temos como mobilizar uma equipe e percorrer boca por boca atrás de um desaparecido – afirma o delegado Bolívar.

Aí, um celular, um cartão de crédito e um carro com GPS viram sinônimos de esperança. E, em boa parte dos casos solucionados, outros crimes também são desvendados.

Foi assim há dois anos, quando uma investigação desarticulou duas quadrilhas do Centro. Os policiais chegaram à principal base do traficante Bombom a partir de um usuário de crack sumido.

- O filtro do comissário

Mesmo que o nome da delegacia especializada inclua a palavra Desaparecidos, atualmente só um comissário é destacado a este serviço. É ele quem faz os registros e filtra os casos mais preocupantes.

– É um policial experiente. Quando sente que há risco à vida ou possível implicação em outros crimes, mobiliza nossas equipes – diz Bolívar.

Mesmo admitindo que não é a estrutura ideal, garante:

– Nos últimos quatro anos, não houve nenhum caso importante sem solução.

Segundo o delegado, o momento é de estruturação do banco de dados dos desaparecidos:

– Tínhamos um grande volume de sumidos que reapareceram, mas não houve o registro. Agora, no momento em que alguém aparece, já entra no sistema.

Fique por dentro
- O envolvimento com drogas, especialmente o crack, é responsável por pelo menos 50% dos desaparecimentos de jovens e adultos no Estado.
- A polícia aponta que 99% dos casos são solucionados. A estatística baixa um pouco, para 79%, quando são crianças e adolescentes desaparecidos.
- Caso Ivan: desapareceu em fevereiro de 2009, quando disse à família que iria trabalhar em Caxias do Sul. É usuário de crack e tem três tatuagens no corpo: um coração no peito com a inscrição "Rita" dentro dele, um fênix nas costas e no braço direito, um bonequinho Bob com a inscrição "Juan" abaixo dele.
Serviço
- Ao ter um parente desaparecido, faça o registro policial na hora. A lei não determina mais a espera por 24 horas depois do sumiço.
- O Diário Gaúcho também divulga casos de desaparecimentos. Pesquise a galeria de desaparecidos no www.diariogaucho.com.br.
- Tenha em mãos uma fotografia da pessoa, além das suas características e das roupas que usava.
- Denúncias pelo 0800-6426400.
- A Polícia Civil também tem uma galeria de sumidos: www.desaparecidos.rs.gov.br.


DIÁRIO GAÚCHO 

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